Músicas VI – Master of Puppets – Metallica
Obviamente que eu não poderia deixar de abordar o Heavy Metal neste espaço.
Nunca entendi essa coisa de “oito ou oitenta” do Metal, eis que é um gênero que ou o fã idolatra como se fosse a suprema realização musical da humanidade ou o detrator esculhacha como se fosse uma espécie de câncer cultural no universo do Rock´n´ Roll.
Sopesando todos os argumentos favoráveis e contrários, é inegável que MUITA COISA BOA pode ser encontrada neste universo, basta não se deixar levar por radicalismos proselitistas nem por um ódio infundado.
E então que chegamos ao 6º post da série abordando a música Master of Puppets, 2ª faixa do álbum intitulado… adivinha… Master of Puppets, lançado em 1986 pelo Metallica .
Diferente da postura comercial que o Metallica adotou a partir dos anos 90, com álbuns de ouro, platina, clipes de MTV, extensas turnês mundiais, esse álbum retrata aquele Metallica moleque, de várzea, cheio de ginga e malemolência, aquele Metallica da velha guarda, da alegria de receber um passe (malditos memes).
Deixando de lado essas piadas típicas de redes sociais tal como expostas no parágrafo interior, é bem verdade que a postura do Metallica nos anos 80 diferia muito do que vemos hoje. É uma música de uma época que eles evitavam a todo custo obter alguma exposição comercial, uma música dos tempos em que o Heavy Metal realmente tinha uma conotação, digamos assim, de arte para socialmente desajustados.
Não é nem por pedantismo que considero esta a melhor fase desta banda, mas sim porque, tendo eles simplesmente ignorado a exposição midiática, lhes permitiu uma liberdade criativa que não se encontra em tempos hodiernos.
A música Master of Puppets, um perfeito libelo anti-drogas, retrata muito bem isso: Riff arrasa-quarteirões, solos virtuosos de guitarra, interlúdio pseudo-erudito, enfim, um arquétipo do que o Heavy Metal deve ser.
A partir daí, o Metallica só foi decadência. Ouso dizer que nem mesmo o álbum Justice for All, tão aclamado pelos fãs, conseguiu repetir o brilho do início da carreira. Cliff Burton, baixista dessa formação que faleceu em um acidente com a van que transportava a banda, realmente fez muita falta.
Sem maiores delongas, eis a música:
Dentre as bandas que formam a grande picuinha que é o Thrash Metal americano, minha favorita sempre foi Megadeth. Ainda assim, ouvindo os três primeiros álbuns do Metallica eu quase consigo entender como alguém pode considerar Metallica melhor que Megadeth.
Aliás, eu usei o termo “Thrash Metal” ali sem muito critério. Acho que caberia nesta série de artigos sobre Música uma discussão sobre as diferentes vertentes do Heavy Metal, hahaha. Até mesmo entre o “Big Four” existem diferenças, com o Megadeth puxando mais para o Metal Progressivo, com mais cromatismo e mudanças de ritmo e o Slayer puxando para o Death Metal (convenhamos que Reign in Blood deveria ser considerado pelo menos um Proto-Death Metal).
Enfim, concluindo, estou achando bastante interessante e variada esta série, espero que continues com o bom trabalho.
Obrigado pelo comentário.
Eu também considero que Megadeth apresenta composições mais complexas, mas nunca foi uma banda que me cativou tanto assim.
Slayer, abordando uma vertente mais pesada, não é muito do meu agrado. Obviamente que sempre encontramos coisas legais, mas daí cai naquele velho argumento que “gosto cada um teu o seu”.
Esta série de músicas que to fazendo aqui realmente tem a intenção de ser a mais variada possível.
Obrigado pela visita e volte sempre!
“Enfim, concluindo, estou achando bastante interessante e variada esta série, espero que continues com o bom trabalho.” [2]
E mesmo não gostando de metal, nem de Metallica, estava aqui a ouvir essa Master of Puppets, devia fazer uns 700 anos que não escutava… parece até que envelheceu bem pra caramba.
“(…) Metallica moleque, de várzea, cheio de ginga e malemolência…”, confesso que achei esse trecho curiosamente engraçado porque nao entendi exatamente do que se trata aqui. Outro trecho curioso: “(…) uma música dos tempos em que o Heavy Metal realmente tinha uma conotação, digamos assim, de arte para socialmente desajustados”. Rsrsrsrs! Embora tenha escutado mais Metallica no passado, concordo com Tupinambá.
E aí mestre,
Concordo com voce no pointo que Master of Puppets foi um dos pontos altos do Metallica. Discordo que as mudanças que se seguiram marcam uma decadência do som da banda. É verdade que essa energia furiosa que marcou o Kill’en All e o Ride The Lightning começou a se transmutar em algo mais paupável para as massas no Justice(como One). Mas no Ride, por exemplo, já tinhamos um germe do que seria o Black Album em Fade To Black (que é um tesão de musica). Então, não acho que haja discrepancia na evolução do som (coisa que marcou algumas bandas como o Yes nos anos 80). Sobre os albuns do “novo” Metallica, só tenho a dizer Load e Reload foram produzidos sob auspício do grunge, que realmente trouxe algo de novo à música ao fundir de maneira eficiente Metal, Punk e Country. É natural que a banda mudasse o estilo (mas ainda mantendo algumas características essenciais, como a batera do Lars) e cortasse os cabelos (depois que eles fizeram isso TODO MUNDO copiou os caras, visto a referencia que eram).
O Saint Anger é um ponto baixo mesmo. Não tem os solos do Kirk e o bumbo do Lars tá mal gravado. Sei lá. Foi mais um degrau a ser superado depois de todos os problemas internos da banda. É irrelevante.
O Death Magnetic é um presente aos antigos fãs. Musicas rápidas e furiosas. Letras de protesto contra a administração dos EUA do momento (Bush) da gravação. E é isso que vamos ver no Rock in Rio. Death Magnetic. Quem não ouviu, sugiro mesmo.
“Comercial, comercial…” Estava pensando bem essa semana como esse rótulo marcou o metal na década passada (ou se era bom, ou se era comercial, afinal coisa boa não vende). É uma puta idéia escrota. Mas… no caso do Metallica, é 200% verdadeira.
Na real, acho o Master o melhor simplesmente porque foi a melhor fase da banda: bem menos boboca do que na fase Kil’em All (convenhamos, letras como Seek & Destroy são pura vergonha alheia), inspiradíssimos e climáticos (a questão é que, por mais que percam em técnica para Megadeth e Slayer, as músicas do Metallica têm CLIMA: uma Welcome Home te faz se sentir num sanatório mesmo, enquanto nada do Megadeth e do Slayer te fazem prestar atenção na letra e gritar seu significado).
Aí veio o …And Justice, que ao contrário de você eu acho talvez o melhor álbum de heavy metal da história: não tem praticamente baixos audíveis, não tem sobretudo o Cliff Burton, mas o clima de luto do álbum é tão grande que parece cortar as veias. Não há uma frase no álbum inteira pronunciada pelo Hetfield que não soe como um grito de agonia contra o destino.
E aí… a banda virou, realmente, COMERCIAL. Nunca vi uma banda se preocupar tanto em ganhar dinheiro quanto o Metallica. Fizeram uma coisa totalmente pop rock, meio grunge, meio punkzinho dos anos 90, quando viram que talvez poderiam ganhar mais DINHEIRO com uma volta às origens, lançaram o Garage Inc, que ainda é completamente “novo Metallica”. Não dá nem pra falar do St. Anger por isso: uma banda dos anos 80 não deveria se influenciar por Kid Rock e Limp Bizkit. Por que se influenciu? Dinheiro, de novo.
Não agüento papo de metaleiro black tr00 falando que, sei lá, Cradle of Filth é “comercial”, apenas porque você entende quando a guitarra toca um Lá e quando toca um Dó 3 oitavas abaixo. Comercial é o Bon Jovi. Comercial é o que o Metallica fez – afinal, ALGUÉM no planeta gosta do Kill’em All E do Reload… AO MESMO TEMPO? Eu também nunca vi.