Músicas VII – N.I.B. – Black Sabbath
Sou partidário da tese que a primeira frase de um texto é a mais difícil de ser criada.
Ciente dessa dificuldade, apresento esta minha teoria como introdução a essa “resenha” porque realmente não estava tendo idéias de como iniciar um texto que aborde música tão peculiar como essa.
Pois bem, “peculiar” é a palavra de ordem de NIB, música presente no álbum de estréia do Black Sabbath, entitulado de… ahmm… Black Sabbath!
Vamos começar pelo título da música, o que diabos vem a significar NIB?
Uma das teorias que muitos defendem é que N.I.B. é uma sigla para Nativity in Black (trad: Natividade em negro? Alguém me ajuda?), teoria essa que remonta a época do lançamento do primeiro tributo ao Black Sabbath, que assim foi batizado.
Outra teoria, que acredito ser a mais correta (após ler vários fóruns de discussão) é que N.I.B. significa nada mais, nada menos, uma trollagenzinha (de autoria de um Ozzy chapado) sobre a barba do baterista Bill Ward. Segundo consta, a barba do baterista parecia uma “ponta de caneta”, o que em inglês significa “nib on the end of a pen“.
Geezer Butler, por sua vez, provavelmente para deixar o título ainda mais enigmático, achou por bem colocar sinais do pontuação no final de cada letra, a fim de que o nome parecesse uma sigla, mas que na verdade não abrevia nada.
Passado o estranhamento inicial, a música começa com um heterodoxo (e bem executado) solo de baixo, que nas edições americanas do álbum era chamado de bassically. Logo após, tem-se todas as características dos primórdios tempos do Black Sabbath, tais como os vocais cuidadosamente desafinados; os riffs, riffs e mais riffs; os solos de guitarra gravados simultaneamente de maneira quase desconexa, etc… É a infância do Heavy Metal.
Mas o ponto alto da música é a letra de autoria do baixista Geezer Butler, que descreve o amor, a paixão, que o diabo (sim, o próprio Satan; Lúcifer; Tinhoso; Capiroto; qualquer designação vale) sente por uma mulher humana.
Ok, obviamente que você, eventual leitor, pode achar um tema desses algo no mínimo ridículo, entretanto, é impossível de ignorar que se trata de uma bela letra de valor verdadeiramente poético, basta examina-la com atenção.
Para provar a assertativa acima trago seus versos, com a respectiva tradução logo abaixo:
Some people say my love cannot be true
Please believe me, my love, and Ill show you
I will give you those things you thought unreal
The sun, the moon, the stars all bear my seal
(Algumas pessoas dizem que meu amor não pode ser real
Por favor acredite em mim, meu amor, e vou te mostrar
Vou te dar as coisas que você julgava impossíveis
O sol, a lua, as estrelas, todas trazem meu selo)
Follow me now and you will not regret
Leaving the life you led before we met
You are the first to have this love of mine
Forever with me till the end of time
(Siga-me agora e você não vai se arrepender
Deixando a vida que tinha antes de nos encontrarmos
Você é a primeira que teve este meu amor
Sempre comigo até o fim dos tempos)
Your love for me has just got to be real
Before you know the way Im going to feel
Im going to feel
Im going to feel
(Seu amor por mim tem que ser real
Antes que você entenda a maneira como sinto
Eu vou sentir
Eu vou sentir)
Como se percebe, trata-se de uma bela letra de amor, mas a verdadeira sacada de Geezer Butler, ao compor esses versos, é deixar a supresa para o final:
Now I have you with me, under my power
Our love grows stronger now with every hour
Look into my eyes, you will see who I am
My name is lucifer, please take my hand
(Agora tenho você comigo, sob meu poder
Nosso amor se fortalece a cada hora
Olhe em meus olhos, você verá quem eu sou
Meu nome é Lúcifer, por favor segure minha mão)
Ou seja, depois de todo o romantismo dos versos, o ouvinte é supreendido com a revelação de que o apaixonado da letra é o Diabo.
Na minha opinião, essa música é o típico exemplo de uma idéia estúpida, porém muito bem executada.
Fica a lição para esse post que a criatividade é indubitavelmente uma força que tudo embeleza.
Para terminar, deixo o tradicional vídeo:
Grande mestre,
O que seria de nós sem Black Sabbath? O que seria do Sabbath sem NIB? Talvez a percepção geral sobre a banda não fosse muito diferente (tanto quanto foi gerada por Paranoid), mas NIB mostra mais essa energia “dark” que Ozzy tentaria recriar posteriormente na sua fase solo pós-Randy Rhoadys e ajudou a criar a atmosfera negra e vampírica que o metal viria a adquirir.
Talvez a melhor pergunta fosse: o que seria do metal sem NIB?
O diabo não está apaixonado por uma mulher, e sim por qualquer ser humano, ele quer levar a alma.
É a sedução demoníaca com promessas de coisas materiais, o que sabemos que é uma maneira fácil de convencer um pobre coitado a queimar nas profundezas, sem viadagem, mas vai saber, né?
“O quê? Você me faz ficar com 100 mil seguidores?? Onde eu assino?”
ideia estupida?
como assim?
foi genial, o diabo é a representaçao do mal e entao do nada ele começa a amar uma pessoa, a ideia inicial dele foi fazer a musica de amor mais sincera de todas(objetivo de 95% dos musicos, e foi Black sabbath que conseguiu isso)
é normal religiosos pensarem que ele queria mostrar o diabo em açao, mas nao tem nada a ver nem com a propria mitologia catolica ou qualquer merda que chamam isso, na biblia o diabo fez bem diferente com jesus, nao disse que amava ele, ateus são os que mais sabem de religão mesmo, existem varias pesquisas que provam isso
O diabo é o próprio avesso do amor ou, se me permitem, a pura maldade em si.
Galera, obrigado pelos comentários.
Quando eu digo que a idéia é estúpida, é porque, convenhamos, pensar numa letra humanizando Lúcifer, descrevendo-o como um ser humano comum que se apaixona por alguém me parece algo bizarro.
Mas a maneira como Geezer Butler (que era o principal letrista do Sabbath) descreve esse cenário é genial.
Como o Josh disse acima, o arquétipo do demônio certamente o descreve como algo avesso ao amor, e eis uma grande ironia dessa música.