Músicas X – Little Wing – Jimi Hendrix
Um dos maiores clichês que existem no universo do rock´n´roll é considerar Jimi Hendrix como o melhor guitarrista de todos os tempos.
Sou daquelas pessoas quase obsessivas em fugir do senso comum, mas as vezes tenho que concordar com a maioria. É óbvio que muitos guitarrreiros (termo que gosto de usar para definir ratos de conservatórios que passam 36 horas diárias estudando escalas) torcem o nariz para a devida importância desse guitarrista, dirão eles que sua técnica foi a muito tempo superada, que se trata de um reles repetidor de escalas pentatônicas, que hoje temos Malmsteen, Steve Morse, Steve Vai, e tantos outros “Steves”.
Aliás, é curioso a quantia de guitarristas batizados de Steve.
Mas a verdade é que a música, como todas as outras espécies de arte, não é apenas técnica. Existe a inspiração e a criatividade (evitarei usar o errôneo e idiota termo feeling), e isso Hendrix tinha de sobra.
O que o eventual leitor deve levar em consideração é que Hendrix remonta de uma época em que a guitarra, no universo do rock´n´roll, e salvo raras exceções, era mais um coadjuvante de canções centradas nos vocais do que propriamente um instrumento de caráter solista. Vale dizer, Hendrix expandiu o conceito da guitarra de tal modo que abriu caminho para todo seu desenvolvimento que viria a ocorrer nas décadas vindouras, seja em sua verve técnica, artística ou tecnológica.
E, é claro, de nada valeria toda essa inovação sem que houvesse, de fato, grandes canções, tal como a escolhida para esse post: Little Wing, 6ª faixa do álbum Axis: Bold as Love, lançado em 1967.
A referida canção trata-se de uma balada das mais psicodélicas, bem ao sabor anos 60, com uma letra tão surreal que prefiro nem traduzi-la (Well she’s walking / through the clouds / With a circus mind that’s running round Butterflies and zebras / And moonbeams and fairy tales —>> WTF??), mas sou partidário da tese que na música, basta uma boa melodia ou um instrumental bacana.
Diz a história que a canção, por destoar um pouco do espírito mais “selvagem” presente nas outras músicas de Hendrix, só ganhou maiores holofotes após ser coverizada por Eric Clapton junto com Derek & Dominos, a qual, em minha opinião, é uma versão muito ruim. A versão original, com esse riff baseado em frases de duas notas simultâneas em dueto com um “sininho” percussivo (Nunca consegui identificar qual é o instrumento), sempre foi a mais carregada do do verdadeiro espírito que Hendrix quis transparecer.
Alías, o riff de Little Wing é tão marcante que é possível identificar ele sendo quase plagiado em músicas de outras bandas, tais como Catch the Rainbow (Rainbow), e, num universo mais Pop, na Under the Bridge (Red Hot Chilli Peppers).
Além desses “kibes”, a canção foi ainda coverizada por Sting, Tuck & Patti, Stevie Ray Vaughan & Double Trouble, Skid Row, Gil Evans, Paul Rodgers, Concrete Blonde e the Corrs.
Sem maiores lero-leros, segue abaixo a música para que ela fale por si só:
Tenho um box do Jimi Hendrix com umas 5 versões dessa música, e dessas, umas duas que certamente inspiraram o Stevie Ray Vaughan a “encompridar” a canção. Essas versões do SRV são excelentes e mostra que ele é um dos melhores de todos os tempos, mas continuo achando a original a melhor, mas muito curta. Hendrix poderia ter aproveitado mais os riffs e solos, como fez nessas outras versões encontradas nesse box. Música genial e eu tenho uma certa impressão de que o Hendrix estava sob influência de entorpecentes quando escreveu a letra, hehe.
muito bom texto a nova geração deveria valorizar mais a técnica e sentir mais a música como hendrix sempre sentiu
Concordo que a música é extremamente curta. Eu tenho um MP3 de um cover dessa música que nunca soube de quem é, mas na referida versão o guitarrista faz um solo que dura uns 10 minutos, coisa mais linda de se ver. É claramente perceptível que Hendrix “encurtou” Little Wing, eis que é uma canção que clama por uma infinita jam session.
eu adoro “feeling”. mas uso pra falar da cara que os caras fazem quando tão naquele feeling manero com a guitarra. cara de feeling.
exempli gratia: a cara de feeling do carlos santana nesse vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=8JryQXilMj4 . cê sabe que ele tava MUTCHOLOKOVERYCRAZY pq tinha tomado um doce e achou que a guitarra estava se transformando numa cobra e se mexendo, por isso essas caras e bocas sensacionais. sente o feeling.
Para mim o “feeling” é outra coisa. Algo relativo a execução das músicas de modo bonito, que da pra “sentir o sentimento” . Algo que Hendrix tinha de sobra. Afinal, tocar um instrumento não é apenas tocas as notas certas no tempo certo (o nome disso é Guitar Hero). Você saber “domar o som” e dominar as dinâmicas do bicho, esse é o maior desafio.